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Nutrição & Gastronomia

Conheça os segredos da alimentação baseada na medicina chinesa.

Há muitos anos se ouve falar da dieta macrobiótica, e há polêmica acerca de sua eficiência. Mas pouco se discute sobre a origem desse tipo de alimentação. A macrobiótica é baseada na medicina chinesa, que tem mais de 5.000 anos, e visa o equilíbrio de duas forças opostas que se complementam na alimentação: o Yin e o Yang.

Essas forças devem se harmonizar, e, segundo a teoria macrobiótica, o excesso de Yin ou de Yang é prejudicial. Cabe a quem prepara a refeição equilibrar essas forças nos ingredientes, seja através do preparo (por exemplo, fritura é Yin e cozimento é Yang) ou pela seleção dos alimentos. Quando comemos absorvemos a energia de cada alimento, e vale esclarecer que, na linguagem macrobiótica, a energia absorvida é diferente das calorias que ingerimos na linguagem nutricional. A medicina chinesa possui linguagem própria, e seus termos não devem ser confundidos com os da medicina ocidental.

Segundo essa vertente de alimentação, o mais saudável é absorver a energia de elementos diferentes dos seres humanos, como, por exemplo, as plantas. Ainda de acordo com a teoria, a melhor energia vem dos grãos, que têm a capacidade de gerar vida (brotam e viram plantas). Os integrais são os mais recomendados, pois se alega que comer uma só parte do alimento dificulta a absorção de sua energia.

No caso das carnes, pequenas porções de peixes são as mais indicadas, por serem os animais mais distantes dos seres huma-nos. Já a carne de boi e de frango são menos recomendadas por possuírem um excesso da energia Yang.

A alimentação macrobiótica acabou sendo adaptada ao estilo brasileiro de alimentação. Suas ressalvas e recomendações eram voltadas à alimentação chinesa, e não colocavam em questão, por exemplo, nossas frutas e alimentos típicos. Vale lembrar que os doces também são pouco indicados, em especial o caso do açúcar refinado, pois possuem uma composição energética excessivamente Yin, que é também o caso de algumas frutas.

À luz da nossa ciência, uma alimentação macrobiótica tem suas vantagens, a exemplo da preferência por grãos integrais, que possuem muito mais vitaminas (que são removidas quando eles são polidos). Muito consumido nesse tipo de dieta, o arroz integral é composto por carboidratos e vitaminas do complexo B.

A introdução da alimentação macrobiótica no Brasil inspirou o surgimento de muitos produtos orgânicos que são indiscutivelmente mais saudáveis por não possuir agrotóxicos. Outra recomendação feita por esse tipo de dieta é a respeito da mastigação: mastigar muitas vezes ajuda a digerir melhor os alimentos e também traz maior sensação de saciedade, já que quem mastiga mais se satisfaz antes dos que mastigam menos.

Entretanto, a alimentação macrobiótica não recomenda a ingestão de carnes, que são excelentes fontes de proteína, necessária ao organismo humano. Na nutrição é recomendado que as proteínas sejam consumidas no mínimo três vezes por semana. Esse é o caso também das frutas, que devem ser consumidas em grandes quantidades diariamente.Portanto, a alimentação macrobiótica é uma opção para quem procura um estilo de vida mais saudável, mas pode ser prejudicial se não for bem orientada.

Gabriel Veneziani dos Santos é nutricionista.


Texto: Gabriel Veneziani dos Santos

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